A conta vai chegar para todos: desafios e oportunidades da previdência no Brasil

Quanta Previdência • 10 de junho de 2024
Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência, ressalta a importância de todos os âmbitos da sociedade pensarem no futuro

Em maio de 2024, participei do Seminário Internacional de Previdência, promovido pela ABRAPP em Madri, Espanha. Este evento proporcionou uma valiosa oportunidade de explorar o modelo europeu, seus desafios e melhores práticas, com o objetivo de ampliar a visão dos dirigentes de Entidades Fechadas de Previdência no Brasil e trazer ideias inovadoras para o setor. Das intensas discussões e análises, emergiu uma conclusão incontestável: ‘A conta vai chegar para todos’ , Governos, empresas e trabalhadores, sejam formais ou autônomos, enfrentarão altos custos pelas decisões que tomamos hoje, caso não sejam implementadas medidas proativas e sustentáveis.

O envelhecimento da população brasileira, evidenciado pelo aumento da expectativa de vida de 62,6 anos em 1980 para 75,5 anos em 2022 (IBGE), pressiona os gastos com previdência social, que já representam 13% do PIB, segundo o IPEA. Projeções indicam que esse percentual pode chegar a 17% até 2060, exigindo uma gestão robusta para evitar o colapso do sistema, logo, ele precisará equilibrar essa questão através de novas reformas ou encargos, impactando diretamente empresas e trabalhadores. As consequências incluem:

  • Novas reformas previdenciárias: Aumento da idade mínima para aposentadoria, redução de benefícios e alterações nas regras de cálculo, gerando insatisfação popular.
  • Aumento de impostos: Maior carga tributária sobre empresas e trabalhadores, desincentivando investimentos e reduzindo o poder de compra.
  • Novos encargos trabalhistas: Empresas podem ter que contribuir mais para a previdência social, elevando custos operacionais e potencialmente aumentando o desemprego e a informalidade.
  • Pressão financeira nas empresas: Pequenas e médias empresas, em particular, podem enfrentar dificuldades, levando a falências e demissões.

Portanto, a participação ativa das empresas e dos trabalhadores na previdência complementar é crucial para evitar esses desdobramentos negativos e promover um futuro mais sustentável.

O Brasil possui reservas de previdência complementar que totalizam R$ 2,5 trilhões (ANBIMA), equivalentes a 25% do PIB. Em comparação, países como Estados Unidos e Reino Unido possuem reservas que ultrapassam 100% e 120% do PIB, respectivamente. Na Holanda, esse valor chega a 160% do PIB. O potencial de crescimento do mercado brasileiro é significativo, podendo aliviar a pressão sobre o sistema público e oferecer maior segurança aos aposentados.

A conta já chegou para o governo

Adotar medidas que incentivem o crescimento das reservas de previdência complementar é crucial. Isso não apenas ajuda a desonerar o sistema público de previdência, mas também contribui para a formação de uma poupança de longo prazo robusta, essencial para o desenvolvimento econômico sustentável do país. O governo pode atuar de maneira proativa, através de incentivos financeiros e tributários, como utilizados em países com alta cobertura previdenciária. Abaixo, alguns exemplos:

  • Aumento das deduções fiscais para contribuições previdenciárias feitas por empresas: Ampliar o limite atual de 20% dos gastos com folha para empresas de lucro real, abrangendo todos os tipos de empresas.
  • Isenção de tributação no resgate para contribuições de longo prazo: Reduzir a alíquota mínima de 10% para contribuições com 10 anos ou oferecer isenção total para resgates após um período ainda mais longo.
  • Aumento do Limite de Dedução Fiscal: Elevar o limite atual de 12% da renda bruta anual.
  • Incentivos para PME’s: Criar programas específicos para estimular a adesão de Pequenas e Médias Empresas à previdência complementar.

Se o governo investir em incentivos financeiros mais robustos para a previdência privada, poderá haver uma redução inicial na arrecadação de impostos. Contudo, a longo prazo, essa medida mitigaria despesas públicas ainda maiores. A verdadeira questão é que tal ação exige governantes comprometidos com a sustentabilidade intergeracional, em vez de líderes preocupados apenas com resultados imediatos. Quem terá a coragem de adotar essa postura necessária para evitar que, no futuro, a conta se torne insustentável?

O economista Peter Drucker já afirmava: “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” Portanto, políticas previdenciárias proativas são essenciais.

A conta vai chegar para empresas

Para as empresas, a aposentadoria dos funcionários deve ser uma preocupação constante. Oferecer planos de previdência complementar não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma estratégia inteligente de negócios. Segundo a ANBIMA, apenas 12% dos brasileiros possuem algum plano de previdência privada, evidenciando a necessidade urgente de ação por parte das empresas.

Planos de previdência podem:

  • Aumentar a retenção de talentos: Reduzir o turnover e fidelizar funcionários talentosos, oferecendo um benefício atrativo e essencial para o planejamento financeiro futuro.
  • Melhorar o engajamento dos funcionários: Demonstrar o compromisso da empresa com o bem-estar dos colaboradores a longo prazo, motivando-os e aumentando a produtividade.
  • Fortalecer a imagem corporativa: Reforçar a reputação da empresa como um local de trabalho responsável e que se preocupa com seus funcionários.

À medida que o Brasil caminha para um futuro com uma população significativamente mais idosa, as empresas precisam se preparar para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que esse cenário trará. Em 2060, 25,5% da população terá mais de 65 anos. Isso representa 1 idoso para cada 4 pessoas em idade ativa (15-64 anos). Hoje a razão de dependência é de 1 para 10. Esse envelhecimento populacional apresenta uma realidade inescapável: esses indivíduos serão os futuros consumidores.

Sem planos de previdência robustos, muitos desses futuros consumidores poderão enfrentar sérias dificuldades financeiras. A ausência de renda adequada para a aposentadoria significa menor poder de compra, impactando diretamente a demanda por produtos e serviços. Países e empresas que hoje não investem na previdência complementar de seus funcionários podem enfrentar um mercado futuro com consumidores menos capazes de sustentar o crescimento econômico.

Quem pode pagar essa conta sozinho? VOCÊ!

A educação financeira é a chave para evitar a negligência em relação à previdência complementar. Segundo a OCDE, apenas 28% dos brasileiros possuem conhecimentos básicos de finanças. Este dado alarmante ressalta a importância de cada indivíduo assumir o controle do seu futuro financeiro.

Planejar o futuro é fundamental para garantir uma aposentadoria tranquila. Se governo e empresas falharem em atuar de maneira eficaz, a responsabilidade recai diretamente sobre você. Ignorar a necessidade de um planejamento previdenciário pode resultar em uma terceira idade marcada por dificuldades financeiras e perda de qualidade de vida. Ao investir em um plano de previdência complementar, você está não apenas assegurando uma renda para consumo vitalício , mas também garantindo a liberdade e o conforto que deseja na terceira idade.

Além disso, a previdência privada oferece benefícios fiscais imediatos que potencializam a acumulação de reservas de longo prazo. Cada contribuição é um passo a mais para uma aposentadoria segura e digna, longe de preocupações financeiras. Não espere que outras entidades resolvam essa questão por você; seja proativo e comece a planejar hoje.

Sua futura qualidade de vida depende das decisões que você toma agora. Não deixe para amanhã o que pode ser o alicerce de um futuro mais seguro e próspero. Afinal, quem mais será impactado pelas suas escolhas ou pela falta delas, é você mesmo.

A sustentabilidade da previdência é uma responsabilidade coletiva que não pode ser ignorada. Governos, empresas e indivíduos precisam agir agora para evitar uma crise previdenciária no futuro. O envelhecimento da população brasileira, combinado com a crescente pressão sobre os gastos públicos, exige uma abordagem proativa e integrada.

Governos devem implementar incentivos robustos para a previdência complementar, aliviando a carga do sistema público e promovendo uma economia sustentável. Empresas têm a responsabilidade de oferecer planos de previdência como uma estratégia de retenção de talentos e melhoria do engajamento dos funcionários. Indivíduos precisam buscar educação financeira e planejar ativamente sua aposentadoria, garantindo uma qualidade de vida adequada na terceira idade.

Como dizia Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.” A hora de agir é agora. Somente através de uma ação coordenada e comprometida poderemos garantir um futuro digno para todos, onde a previdência seja um alicerce sólido e sustentável para as próximas gerações.

26 de agosto de 2026
Quanto sua família precisaria se sua renda faltasse? Conheça a Proteção Familiar Quanta e simule uma proteção adequada à sua realidade.
19 de agosto de 2026
Quando falamos de Previdência Instituída, falamos de uma das grandes inovações do sistema de previdência complementar fechado no Brasil. Ela permite levar previdência para públicos que, muitas vezes, não estão nos planos patrocinados tradicionais: profissionais liberais, empresários, associados, cooperados, colaboradores, famílias e comunidades organizadas. É uma resposta moderna para um desafio antigo: ampliar o acesso à proteção financeira de longo prazo. Mas há uma provocação importante: a Previdência Instituída não escala apenas porque é uma boa ideia . Ela escala quando essa boa ideia se transforma em uma operação viva, digital, eficiente, conectada e centrada no participante. E é aqui que entra a tecnologia. Não falo de tecnologia apenas como sistema administrativo, aplicativo, portal ou CRM. Tudo isso é importante, claro. Mas é só uma parte da história. Na Previdência Instituída, tecnologia precisa ser entendida como modelo de gestão . É processo digitalizado, dado bem tratado, automação de rotinas, inteligência artificial aplicada, integração com canais dos instituidores ou distribuidores. É também jornada do participante com oportunidades de autosserviço, atendimento em escala. E por fim, é especialmente letramento digital dos times. Na Quanta, aprendemos isso na prática. Nascemos e seguimos operando como uma EFPC: sem fins lucrativos, regulada pela PREVIC, com governança, conselhos, comitês, transparência e compromisso de longo prazo. Mas, ao longo da nossa trajetória, desenvolvemos capacidades que raramente coexistem em uma entidade tradicional. Hoje, operamos com cerca de 250 mil participantes , aproximadamente R$ 8,7 bilhões sob gestão , mais de 50 cooperativas conectadas , presença multissistema, cerca de 15 distribuidores , mais de 60 contratos de aporte de empregador, aproximadamente R$ 150 milhões por mês em cobrança processada e cerca de 20 mil atendimentos mensais . Esses números mostram algo simples: quando a Previdência Instituída ganha escala, ela deixa de ser uma operação artesanal. Passa a exigir arquitetura operacional, processos, dados, automação, canais, governança e cultura digital. A nossa tese está ancorada em três pilares: escala, experiência e eficiência . Escala, porque a Previdência Instituída precisa chegar a públicos pulverizados, em diferentes regiões, canais e níveis de maturidade financeira. O desafio não é apenas vender um plano. É transformar potencial em acesso, adesão e permanência. Isso exige padronizar jornadas, apoiar canais, automatizar adesão, processar cobranças, acompanhar portabilidades, medir conversão, segmentar públicos e sustentar milhares de interações. Experiência , porque previdência ainda parece, para muita gente, algo distante, técnico e “para depois”. Mas a vida financeira não espera a aposentadoria para acontecer. Ela acontece quando a pessoa casa, tem filhos, troca de carreira, empreende, cuida dos pais, planeja sucessão, enfrenta uma doença, perde renda ou decide viver mais livre. Por isso, a tecnologia precisa aproximar a previdência da vida real. A jornada começa com diagnóstico de objetivos e passa por recomendação, contribuição, proteção, revisão, portabilidade, educação financeira, perfis de investimento e opções de renda. É a mudança da lógica do “compre um plano” para “vamos organizar sua vida financeira, sua proteção e sua liberdade futura” . Eficiência, porque em uma EFPC eficiência não é apenas uma agenda administrativa. É uma agenda previdenciária. Quanto menor o custo e mais inteligente a operação, maior o valor líquido que pode permanecer com o participante. Na Quanta, nosso custo per capita é de aproximadamente R$ 252 , enquanto a média setorial indicada nos nossos estudos gira em torno de R$ 1.200 . Nossa taxa é próxima de 0,25% ao ano , enquanto produtos do mercado aberto podem chegar a patamares próximos de 1,50% ao ano . Em previdência, diferença de custo não é detalhe. No longo prazo, custo vira patrimônio — ou vira perda de oportunidade. Outro ponto importante: tecnologia também nos ajuda a enxergar o que ainda não capturamos. Muitas vezes, a maior oportunidade não está em buscar um mercado completamente novo, mas em ativar melhor a base que já confia na instituição. Nos nossos estudos, identificamos cerca de R$ 7,2 bilhões em potencial de portabilidade , aproximadamente R$ 686 milhões em potencial de proteção familiar e apenas 3% do potencial tributário capturado . Isso mostra que ainda há espaço relevante para revisão de contribuições, ampliação de proteção familiar, uso estratégico do benefício fiscal, adesão automática, ativação de famílias e jornadas para crianças e dependentes. Mas nada disso se captura com campanha genérica. Exige dado, segmentação, inteligência, automação, comunicação personalizada, integração com canais e acompanhamento contínuo. Olhando para frente, vejo dois caminhos. O primeiro é usar tecnologia para digitalizar o modelo atual: trocar papel por tela, atendimento físico por portal, campanha por disparo digital. Isso melhora. Mas não transforma. O segundo é redesenhar a previdência a partir da jornada do participante. Integrar previdência, proteção, educação financeira, longevidade, dados, IA, automação, canais e relacionamento. Esse é o caminho que transforma a proposta de valor. A Previdência Instituída tem uma oportunidade enorme no Brasil. Ela amplia acesso, conecta comunidades, entrega governança, regulação, custo eficiente e visão de longo prazo. Mas só cumpre todo o seu potencial quando opera com escala, experiência e eficiência. A Previdência Instituída é uma inovação do sistema. Mas ela só escala quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser modelo de gestão. — Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência | 25 anos em Previdência Complementar, Presidente do Lide Mulher e Diretora da Uniabrapp
Por Vanessa B 17 de agosto de 2026
A Quanta Previdência informa que as alterações do Regulamento do Plano Precaver foram aprovadas pela PREVIC , por meio da Portaria PREVIC nº 550, de 20 de julho de 2026 , publicada no Diário Oficial da União em 22 de julho de 2026 . A aprovação conclui o processo de alteração regulamentar anteriormente comunicado aos participantes e contempla os ajustes realizados no Regulamento do Plano Precaver. Com a conclusão dessa etapa, ficam formalizadas as alterações regulamentares aprovadas pelo órgão regulador. Para conhecimento e consulta, o Regulamento do Plano Precaver aprovado pela PREVIC está disponível em anexo a este comunicado . A Quanta Previdência reforça seu compromisso com a transparência, a segurança e a conformidade regulatória , mantendo os participantes informados sobre as atualizações relevantes do Plano. Confira o Regulamento aprovado.