Gestão ambidestra: O segredo da sustentabilidade e crescimento no setor de Previdência 

Quanta Previdência • 7 de fevereiro de 2024

O termo “ambidestria” no contexto empresarial se originou da metáfora de ambidestria manual, que se refere à habilidade de usar ambas as mãos com destreza. Na gestão de negócios, a ambidestria se refere à capacidade de uma organização equilibrar e integrar efetivamente duas dimensões aparentemente opostas: a exploração (exploration) e a explotação (exploitation).

A exploração envolve a busca por inovação e oportunidades de crescimento, enquanto a explotação se concentra na otimização de processos e na eficiência operacional. A ideia é que as empresas bem-sucedidas devem ser capazes de equilibrar essas duas abordagens para prosperar a longo prazo. O termo “ambidestria organizacional” foi popularizado na literatura de negócios por autores como Duncan, 1976 e March, 1991, e desde então, tem sido amplamente adotado no mundo empresarial. 

A ambidestria em uma instituição de previdência é fundamental, pois envolve a capacidade de equilibrar efetivamente a inovação e a eficiência operacional. Por um lado, envolve a gestão eficiente de reservas já conquistadas pelo segmento de previdência que ultrapassam R$ 1 trilhão, apenas nas Entidades Fechadas de Previdência, e por outro dizem respeito a ocupar um espaço no lugar de 90% da população brasileira que ainda não despertou para a solução tão necessária que as entidades de previdência podem promover. São dois lados de uma mesma moeda, que pode ser mais bem gerida com uma gestão ambidesta, dentre as razões,  podemos citar: 

  1. Inovação: A indústria de previdência está em constante evolução devido a mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e expectativas dos clientes. O segmento de previdência possui muito potencial a ser explorado no País, pois menos de 10% da população ativa realiza um planejamento previdenciário eficiente. A ambidestria permite que a instituição ou empresa inove, desenvolvendo novos produtos, abordagens e experiências que atendam às necessidades e estimulem as pessoas a planejar o seu amanhã. 
  1. Eficiência operacional: A ambidestria também envolve a busca contínua pela eficiência operacional, a gestão eficaz dos recursos administrados e a otimização dos processos são essenciais para a rentabilidade e a sustentabilidade a longo prazo de uma instituição de previdência. Na medida que vemos as taxas de juros reduzirem, a otimização torna-se crucial, pois planos de previdência geridos com baixas taxas de administração podem resultar em melhores ganhos aos investidores finais. 
  1. Adaptabilidade: Ambidestria permite que a instituição se adapte rapidamente a mudanças no ambiente de negócios, seja na regulamentação, no ambiente de competitividade do mercado financeiro, nas tendências do mercado ou nas expectativas dos clientes. 
  1. Crescimento sustentável: Ao equilibrar inovação e eficiência, uma instituição de previdência pode buscar um crescimento sustentável ao mesmo tempo em que mantém a qualidade de seus serviços e a confiança dos clientes (participantes, instituidores, distribuidores). 
  1. Competitividade: Instituições ambidestras têm uma vantagem competitiva, pois conseguem se destacar em um mercado altamente competitivo, respondendo tanto às demandas atuais quanto às futuras. 

Portanto, a ambidestria desempenha um papel crítico na capacidade de uma instituição de previdência se adaptar, crescer e prosperar em um ambiente em constante mudança.  

“A ambidestria empresarial é a ponte que   conecta o presente ao futuro, permitindo que as instituições se adaptem às mudanças e ao mesmo tempo maximizem o valor de suas operações existentes.”  

Uma gestão ambidestra, só é possível quando a organização cria e desenvolve uma “cultura” favorável. Para construir essa cultura, compartilho algumas etapas vivenciadas pela Quanta Previdência Cooperativa, em sua jornada: 

  1. Compreensão da ambidestria: iniciou-se o processo educando toda governança e equipe sobre o significa a ambidestria e sua importância. Nesse momento eliminou-se uma “squad” anteriormente criada pensar em inovação e institucionalizou-se a atribuição a todos os líderes, de todas as áreas que possuem em seus roadmaps a diretriz de estabelecer ações de sustentação e de inovação. Hoje, os líderes são gestores de seus processos e “BO” (business owner) de projetos. O olhar para o futuro passou a ser de todos.  
  1. Defina metas claras: foram definidos indicadores de desempenho (KPIs) para medir o progresso em ambas as áreas. OKR e KPIs ligados aos processos de sustentação ou explotação bem como KPIs ligados a inovação e exploração de novos produtos e mercado.  
  1. Liderança comprometida: Os líderes da Quanta foram os grandes apoiadores e os primeiros a serem capacitados e depois foram os responsáveis em disseminar os modelos a serem seguidos. Buscamos no mercado uma academia especializada em agilidade de negócios e gestão ambidestra.
  1. Estrutura organizacional : Houve mudança no design operacional, com a eliminação de camadas hierárquicas que traziam excesso de controle e ruídos de comunicação. Criou-se squads temporárias, com times multidisplicinares e a inovação passou a ser rotina de absolutamente todas as áreas e pessoas. 
  1. Recrutamento e desenvolvimento: A área de Gente, Educação e Cultura, promove programas de capacitação que desenvolvam habilidades e mentalidade tanto para a inovação quanto para a eficiência.  
  1. Comunicação aberta: É essencial o estímulo à comunicação aberta e a troca de ideias entre os departamentos. Isso inclui reuniões regulares com todos os líderes, compartilhamento de informações e colaboração em projetos conjuntos e até em gestão de KPIs, aonde por exemplo mudou-se de “responsável pelo KPI” para uma “dupla de influenciadores” de KPIs. 
  1. Experimentação segura: Permite-se que as equipes experimentem novas abordagens e ideias, mesmo que isso envolva riscos controlados. Utilizamos pequenas amostragens para testar novos modelos e escalamos as boas ideias que foram testadas, e assim, criamos novos produtos (como o plano corporativo completamente simplificado quando comparado ao mercado), novas configurações de trabalho (como quando juntamos áreas em times multidisciplinares, por exemplo educação, gente e cultura), novos processos comerciais (após testarmos simultaneamente 3 formas diferentes de venda da previdência corporativa). 
  1. Cultura de aprendizado: Foi definido no código de cultura de vaguarda, a aprendizagem contínua, direcionando os funcionários a estarem abertos a aprender com os desafios e oportunidades que surgem. 

Construir uma cultura de gestão ambidestra leva tempo e dedicação, mas é fundamental para o sucesso a longo prazo de uma instituição de previdência, permitindo que ela se adapte às mudanças e inove de maneira eficaz enquanto mantém a eficiência operacional. 

Quais são os ganhos da implementação de uma cultura de gestão ambidestra?    

Em primeiro lugar a INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL , tornando a instituição mais bem preparada para inovar de forma consistente, desenvolvendo produtos, serviços e soluções que atendam às necessidades em constante evolução dos participantes, instituidores e distribuidores.

Depois, temos maior EFICIÊNCIA OPERACIONAL , pois a busca contínua por eficiência levará a operações mais enxutas, redução de custos e melhorias na qualidade dos serviços prestados. Acrescento a APAPTABILIDADE , a RESILIÊNCIA a VANTAGEM COMPETITIVA . Por fim, e o mais relevante, a SATISFAÇÃO DO CLIENTE , pois tanto a inovação, quanto a eficiência só terão êxito na medida que melhorarem efetivamente a vida das pessoas. 

Desta forma, a ambidestria poderá ancorar um CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL, permitindo que a Instituição explore novas oportunidades de negócios e mercados, ao mesmo tempo em que mantém a qualidade de seus serviços. 

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Quando falamos de Previdência Instituída, falamos de uma das grandes inovações do sistema de previdência complementar fechado no Brasil. Ela permite levar previdência para públicos que, muitas vezes, não estão nos planos patrocinados tradicionais: profissionais liberais, empresários, associados, cooperados, colaboradores, famílias e comunidades organizadas. É uma resposta moderna para um desafio antigo: ampliar o acesso à proteção financeira de longo prazo. Mas há uma provocação importante: a Previdência Instituída não escala apenas porque é uma boa ideia . Ela escala quando essa boa ideia se transforma em uma operação viva, digital, eficiente, conectada e centrada no participante. E é aqui que entra a tecnologia. Não falo de tecnologia apenas como sistema administrativo, aplicativo, portal ou CRM. Tudo isso é importante, claro. Mas é só uma parte da história. Na Previdência Instituída, tecnologia precisa ser entendida como modelo de gestão . É processo digitalizado, dado bem tratado, automação de rotinas, inteligência artificial aplicada, integração com canais dos instituidores ou distribuidores. É também jornada do participante com oportunidades de autosserviço, atendimento em escala. E por fim, é especialmente letramento digital dos times. Na Quanta, aprendemos isso na prática. Nascemos e seguimos operando como uma EFPC: sem fins lucrativos, regulada pela PREVIC, com governança, conselhos, comitês, transparência e compromisso de longo prazo. Mas, ao longo da nossa trajetória, desenvolvemos capacidades que raramente coexistem em uma entidade tradicional. Hoje, operamos com cerca de 250 mil participantes , aproximadamente R$ 8,7 bilhões sob gestão , mais de 50 cooperativas conectadas , presença multissistema, cerca de 15 distribuidores , mais de 60 contratos de aporte de empregador, aproximadamente R$ 150 milhões por mês em cobrança processada e cerca de 20 mil atendimentos mensais . Esses números mostram algo simples: quando a Previdência Instituída ganha escala, ela deixa de ser uma operação artesanal. Passa a exigir arquitetura operacional, processos, dados, automação, canais, governança e cultura digital. A nossa tese está ancorada em três pilares: escala, experiência e eficiência . Escala, porque a Previdência Instituída precisa chegar a públicos pulverizados, em diferentes regiões, canais e níveis de maturidade financeira. O desafio não é apenas vender um plano. É transformar potencial em acesso, adesão e permanência. Isso exige padronizar jornadas, apoiar canais, automatizar adesão, processar cobranças, acompanhar portabilidades, medir conversão, segmentar públicos e sustentar milhares de interações. Experiência , porque previdência ainda parece, para muita gente, algo distante, técnico e “para depois”. Mas a vida financeira não espera a aposentadoria para acontecer. Ela acontece quando a pessoa casa, tem filhos, troca de carreira, empreende, cuida dos pais, planeja sucessão, enfrenta uma doença, perde renda ou decide viver mais livre. Por isso, a tecnologia precisa aproximar a previdência da vida real. A jornada começa com diagnóstico de objetivos e passa por recomendação, contribuição, proteção, revisão, portabilidade, educação financeira, perfis de investimento e opções de renda. É a mudança da lógica do “compre um plano” para “vamos organizar sua vida financeira, sua proteção e sua liberdade futura” . Eficiência, porque em uma EFPC eficiência não é apenas uma agenda administrativa. É uma agenda previdenciária. Quanto menor o custo e mais inteligente a operação, maior o valor líquido que pode permanecer com o participante. Na Quanta, nosso custo per capita é de aproximadamente R$ 252 , enquanto a média setorial indicada nos nossos estudos gira em torno de R$ 1.200 . Nossa taxa é próxima de 0,25% ao ano , enquanto produtos do mercado aberto podem chegar a patamares próximos de 1,50% ao ano . Em previdência, diferença de custo não é detalhe. No longo prazo, custo vira patrimônio — ou vira perda de oportunidade. Outro ponto importante: tecnologia também nos ajuda a enxergar o que ainda não capturamos. Muitas vezes, a maior oportunidade não está em buscar um mercado completamente novo, mas em ativar melhor a base que já confia na instituição. Nos nossos estudos, identificamos cerca de R$ 7,2 bilhões em potencial de portabilidade , aproximadamente R$ 686 milhões em potencial de proteção familiar e apenas 3% do potencial tributário capturado . Isso mostra que ainda há espaço relevante para revisão de contribuições, ampliação de proteção familiar, uso estratégico do benefício fiscal, adesão automática, ativação de famílias e jornadas para crianças e dependentes. Mas nada disso se captura com campanha genérica. Exige dado, segmentação, inteligência, automação, comunicação personalizada, integração com canais e acompanhamento contínuo. Olhando para frente, vejo dois caminhos. O primeiro é usar tecnologia para digitalizar o modelo atual: trocar papel por tela, atendimento físico por portal, campanha por disparo digital. Isso melhora. Mas não transforma. O segundo é redesenhar a previdência a partir da jornada do participante. Integrar previdência, proteção, educação financeira, longevidade, dados, IA, automação, canais e relacionamento. Esse é o caminho que transforma a proposta de valor. A Previdência Instituída tem uma oportunidade enorme no Brasil. Ela amplia acesso, conecta comunidades, entrega governança, regulação, custo eficiente e visão de longo prazo. Mas só cumpre todo o seu potencial quando opera com escala, experiência e eficiência. A Previdência Instituída é uma inovação do sistema. Mas ela só escala quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a ser modelo de gestão. — Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência | 25 anos em Previdência Complementar, Presidente do Lide Mulher e Diretora da Uniabrapp
Por Vanessa B 17 de agosto de 2026
A Quanta Previdência informa que as alterações do Regulamento do Plano Precaver foram aprovadas pela PREVIC , por meio da Portaria PREVIC nº 550, de 20 de julho de 2026 , publicada no Diário Oficial da União em 22 de julho de 2026 . A aprovação conclui o processo de alteração regulamentar anteriormente comunicado aos participantes e contempla os ajustes realizados no Regulamento do Plano Precaver. Com a conclusão dessa etapa, ficam formalizadas as alterações regulamentares aprovadas pelo órgão regulador. Para conhecimento e consulta, o Regulamento do Plano Precaver aprovado pela PREVIC está disponível em anexo a este comunicado . A Quanta Previdência reforça seu compromisso com a transparência, a segurança e a conformidade regulatória , mantendo os participantes informados sobre as atualizações relevantes do Plano. Confira o Regulamento aprovado.